Friday, September 30, 2005

Os Machados, o filme, o Brasil Naturalista e 5 minutos...

Comprometendo-me civicamente com o cumprimento de meu papel de estudante de Comunicação, bati ponto no Festival do Rio. O filme foi "Cidade Baixa", num Odeon BR com uma baita cara de Maracanã - sem preparativos para o PAN - em dia de Domingo. Aplausos, gritarias e risadas à moda Bira(do Jô Soares) à parte, o filme, como muitos nesse novo Brasil (anti)hollywoodiano, tem confirmado a ascensão do cinema brasileiro ao patamar de único e a imposição de uma nova linguagem cinematográfica, única porque marcada pela brasilidade, igualmente singular. O filme é voraz, mais sexual do que sensual, e muito cru, tão cru que pode parecer indigesto. Lembrou-me Jorge Amado, não só pela baianidade, mas pelo violência inerente que extraía de fatos aparentemente comuns, tipo aquele "comum" que nos passa despercebido, mas choca quando vira arte. Destaque para a prostituta do filme, uma Rita Baiana(sic) pós-moderna, e uma Capitu sincera e ambígua, de olhos machadianamente indecifráveis. Aliás, o filme termina com essa dúvida, e Machado talvez esteja contente por ter havido uma certa tangência à sua ilustre idéia. Do mais o outro Machado se encarregou muito bem.

Saturday, September 24, 2005

Eros, Bon Jovi e Wando

Criticamente, cabe dizer, antes de mais nada, que John Bon Jovi, apesar de sua ideologia pop e de seu rostinho de freqüentador do Balada Mix, não se difere do Wando em quase nada, estando sua pieguice, muito mais internacionalizada, apenas transcedendo o lar das domésticas para invadir e arrebatar os corações de jovens apaixonados. Em miúdos, cabe dizer que o amor, independentemente da imagem a que é associado, ou da maneira como é vinculado, não passa de uma coletânea inclassificável de músicas inesgotáveis, capaz de tematizar cada momento, lembrança ou gesto. Não é cabível avaliar a qualidade de uma música e muito menos se deter a detalhes quando uma temática como amor, universal e metafísica, é nobremente tratada de norte a sul do planeta e dos corações. A banalização a que tanto se alude é fruto de um hiato sentimental, da ausência de uma sensibilidade que não permite que se reconheça em um verso de música aquela história que só um olhar sabe contar ao outro, quando o pano de fundo é aquela gostosa solidão a dois. Enfim, a moral da história é a ética de nossos corações.

"Você é luz and thank you for loving me."

Wednesday, September 07, 2005

Sublimação

De repente, o silêncio cutucou-me. Ouvia teclas misturando-se com cada batida de um coração angustiado. Eram dois corações na verdade. Pensava o sentido de mim mesmo, pensava em que direção ia o sentido de mim mesmo. Era um homem-vetor, produto kantiano de um mesmo mim, de minhas escolhas duvidosas e de minhas convicções incertas. Abria os olhos no intervalo de cada pensamento enquanto pensava os intervalos da vida que me levaram até o presente então. Pensava, enfim, em lacunas. Vácuo preenchido pela solidão que me acompanhou desde que me fiz homem. Era-me, em passado, Homem pela metade. Um agá minúsculo: metade sexo, metade vontade(de ma(iu)scular-me). O que temia eu perdendo-me no espaço curto, mas eterno de cada respiração audaciosa ?Meu sangue me mantinha vivo. E eu estava, como fogo em carne, com a minha carne ao fogo intransigente de meus anseios. Quando na penumbra vi a luz ofuscando minha covardia, fotossintetizei-me na coragem dos bravos. Não estava só, muito menos mal acompanhado. Como nunca, estava verdadeiramente acompanhado. Uma mão alisou-me palavras, contundentes demais para serem gestos falados. O suor, plasma da alma, vaporizava-se com o calor do momento ao passo que me sublimava paulatinamente. Sublimava-me. Apenas sublimava-me. Chamavam sexo o que era amor. Amávamos virgens um nirvana lírico. Salivávamos tolos o afrodisíaco de nossos ímpetos. Saciávamos completos os instantes rápidos e indefiníveis do indefinível. Preenchíamos o tempo com o nosso espaço, cuspindo em Einstein tudo que relativizava nossa certeza. Dois corpos, à sua maneira, disseram "Boa noite". Disseram "Boa noite" à noite boa que o vento aprovava.

A um amigo, a verdade sobre uma verdade

Em homenagem ao meu grandioso amigo João Marcelo Bazzarella, uma das pessoas mais valiosas que conheço.

"O caminho para a verdade é um só. Tente-o para errar para sempre."

Tu, tu, tu, nós

- Eu não vou ligar, eu não vou ligar, eu... não vou... ligar...

- Ela que me ligue. Ela vai sentir minha falta. Ela vai lembrar que eu sou o homem da vida dela. Ela que precisa de mim! Quem afinal ouviu da boca dela que eu era o homem da vida dela? Quem? Âhn? Quem aceitou? Eu, né? Então liga! Liga!

- O caminho é um só. Liga! Você não tem escolha, tá entendendo? Porque eu não vou ligar. Nem amanhã, nem depois. Talvez nunca. Aliás, nunca não. Nunca digo nunca. Nunca mais direi.

- Portanto, liga. Eu estou te dando uma chance. De ser feliz, inclusive. Eu vou contar até 3. Um...liga, porra...2...dois e meio...Tá bom, vou ligar!

- Ocupado?!! Deve estar falando com outro. Não. Duvido. Tenho certeza de que não. Ela me ama... Ela me ama e me quer. Ela me ama, me quer e vai ligar. Vai ligar. Liga!!!

-Alô! Pronto! Não. Não. Não. Não!

- Engano...humpf...que engano...