É dose
Com todo respeito à qualificada equipe do Fantástico, mas, para ver o jornalismo de politécnico da Glória Maria, é melhor até ver o debate. No primeiro bloco, entretanto, pensei em reconsiderar. A previsibilidade da política brasileira no tocante à argumentação dos candidatos estava estampada no rosto(isento) do Boechat. Aos poucos, mesmo assim, a conversa de botequim, travestida de debate e revestida pelos protocolos da boa conduta(sic), parecia mais quente que a Sibéria do Paulo Coelho. Uma grande vantagem, portanto.
Mas o que tínhamos, afinal, na soturna noite de domingo? Tínhamos Alckmin e seu grande atributo: uma inquestionável cara de presidente. Sabe Deus – ou ele, eventualmente - o que o tucano pode fazer pelo Brasil, mas é fato que o homem tem cara de presidente. Desses que sorri abobalhado com aquela faixa já encardida de tanto premiar incompetentes. Aquela cara de intelectual de classe média, que quase derrubou Lula, sem ao menos uma gota de álcool, logo na primeira dose. Do outro lado, leidisendienteumein, o outro. Bebendo água desta vez, Lula, acima do peso(talvez o botox), portava-se como um advogado malicioso, ou pelo menos propunha-se a isso. Estava irreconhecível. Um hábil pescador de palavras, um sereno deturpador de discursos, ou seja, coisas que ele mal sabe explicar. Tangenciou as perguntas do presidenciável Alckmin com retórica de apresentador de talkshow de quinta, e olhava como rei para o adversário, como se a vitória viesse tão logo ele pedisse a saideira. Impossível lembrar um momento sequer em que ele começasse sua pergunta, réplica ou tréplica, sem desqualificar ou ironizar seu mortal oponente. O 3º grau de Geraldo não
foi suficiente para conquistar o respeito do Pós-doutor em Ciências da Rebeldia Sem Causa Trabalhista, que chamava o médico de “desinformado” e de “mentiroso”, ao passo que ousava confundir a quota de 170 com a de 170.000, em alusão à quantidade de famílias beneficiadas por projetos sociais em São Paulo. Alckmin, infelizmente, perdeu a oportunidade de chamar o presidente da república de, digamos, “confuso”.
Em um determinado momento, Geraldo pôs-se a jogar baixo, mas com valores altos. A menção ao cartão utilizado pelo presidente para gastos considerados desnecessários deixou Lula balançado e, aparentemente, com medo do SPC. E sobrou para FHC, para a globalização, para os 400 anos do PSDB. Até Covas foi desenterrado. O avião do presidente vai ser vendido, assegurou Alckmin. Isso nunca incomodaria Lula, afinal, para ele, alguns milhões a mais ou a menos de Bolsa-Família ou Bolsa-Escola não pesam no bolso, nem na consciência.
Entre mortos e feridos, enfim, salvaram-se os jornalistas. Fizeram ótimas perguntas para candidatos treinados para marketing pessoal, réplicas e tréplicas, mas não para responder. A população, no entanto, precisa de respostas. Apresentaram-se dois Robin Hoods, mas nenhum bandido. Nossos debates, em nossos botequins, valem muito mais. É mais difícil alguém sair sem acertar as contas.
Mas o que tínhamos, afinal, na soturna noite de domingo? Tínhamos Alckmin e seu grande atributo: uma inquestionável cara de presidente. Sabe Deus – ou ele, eventualmente - o que o tucano pode fazer pelo Brasil, mas é fato que o homem tem cara de presidente. Desses que sorri abobalhado com aquela faixa já encardida de tanto premiar incompetentes. Aquela cara de intelectual de classe média, que quase derrubou Lula, sem ao menos uma gota de álcool, logo na primeira dose. Do outro lado, leidisendienteumein, o outro. Bebendo água desta vez, Lula, acima do peso(talvez o botox), portava-se como um advogado malicioso, ou pelo menos propunha-se a isso. Estava irreconhecível. Um hábil pescador de palavras, um sereno deturpador de discursos, ou seja, coisas que ele mal sabe explicar. Tangenciou as perguntas do presidenciável Alckmin com retórica de apresentador de talkshow de quinta, e olhava como rei para o adversário, como se a vitória viesse tão logo ele pedisse a saideira. Impossível lembrar um momento sequer em que ele começasse sua pergunta, réplica ou tréplica, sem desqualificar ou ironizar seu mortal oponente. O 3º grau de Geraldo não
foi suficiente para conquistar o respeito do Pós-doutor em Ciências da Rebeldia Sem Causa Trabalhista, que chamava o médico de “desinformado” e de “mentiroso”, ao passo que ousava confundir a quota de 170 com a de 170.000, em alusão à quantidade de famílias beneficiadas por projetos sociais em São Paulo. Alckmin, infelizmente, perdeu a oportunidade de chamar o presidente da república de, digamos, “confuso”.
Em um determinado momento, Geraldo pôs-se a jogar baixo, mas com valores altos. A menção ao cartão utilizado pelo presidente para gastos considerados desnecessários deixou Lula balançado e, aparentemente, com medo do SPC. E sobrou para FHC, para a globalização, para os 400 anos do PSDB. Até Covas foi desenterrado. O avião do presidente vai ser vendido, assegurou Alckmin. Isso nunca incomodaria Lula, afinal, para ele, alguns milhões a mais ou a menos de Bolsa-Família ou Bolsa-Escola não pesam no bolso, nem na consciência.
Entre mortos e feridos, enfim, salvaram-se os jornalistas. Fizeram ótimas perguntas para candidatos treinados para marketing pessoal, réplicas e tréplicas, mas não para responder. A população, no entanto, precisa de respostas. Apresentaram-se dois Robin Hoods, mas nenhum bandido. Nossos debates, em nossos botequins, valem muito mais. É mais difícil alguém sair sem acertar as contas.

1 Comments:
Vamos ao botequim? Te encontro no da esquerda ou no da direita?
Bjs e até lá!
;)
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