Wednesday, January 11, 2006

Olhos

Vi um filme passando por meus densos pensamentos. Tinha a velocidade da mais rapida bola de frescobol que havia visto, mas pude ver, como se aguia fosse. Vi um intervalo de vida em que o mundo mudou sua forma de resistir a ele proprio. Vi-o em auto-construcao, construindo-se como se o seu destino fosse a eternidade. Vi o homem pensando a tecnologia como condicao para a sobrevivencia, nao como instrumento de opressao e de imposicao de valores economicos politicos e ideologicos. Vi o homem desenvolver um metodo para manter o sol brilhando por mais um trilhao de anos. Vi meus descendentes vendo um mundo melhor do que aquele que vejo.
Vi, pela primeira vez em minha vida, minha mais clara cegueira.

Tuesday, January 10, 2006

Cedilha, til e acento

Peco enormes desculpas as todos aqueles que costumam acompanhar meu blog e se divertir com as minhas porcarias que se travestem de texto, e com os meus textos que bem vestem a carapuca da ironia. No momento, estou morando em Tannersville, uma rua que ousam chamar de cidade, localizada a pouco mais de duas horas de um mundo, que ousam chamar de cidade, chamado Nova York. A quantidade de novidades e de delicias interessantes e cabiveis em meus textos so nao sao maiores que minha vontade de traze-las a publico. Poderia escrever durante dias sobre tudo que fiz, inclusive sobre tudo que deixei de fazer, dando asas a minha especulacao de viajante-morador de NY. Tao logo volte ao Brasil, sera impossivel nao fazer referencias a essa nova experiencia, mas so nao me perderei nas nostalgias de novaiorquino porque o passado, em minha humilde concepcao, nao passa de um trampulim para o presente, que pulsa na vida de todos toda vez que sentimos o ar da respiracao rocar o peito.
A norma culta da lingua tem sido tambem ferrenha adversaria em minha luta contra o ostracismo. Eu nao suporto terminar palavras com a latejante desconfianca de que algo falta. Por exemplo, a palavra "desconfianca" , como voces podem desconfiar, nao pode ser escrita sem cedilha, e isso o professor Pasquale ja deve ter dito mais 30 vezes, em um de seus 30 comentarios de 30 minutos. Nao quero irrita-lo, pois mais explicacoes demagogicas sobre a Lingua Portuguesa traria irritacoes - com "cedilha" e "til"- ao meu portugues sem acento. O individualismo americano, desconfio, nao produz teclados que permitem que eu escreva "desconfianca" da maneira que quero, tao pouco o til que caberia no meu "tao". Portanto, espero que eu possa voltar ao mundo em que eu posso vomitar minhas baboseiras com teclados adequados. Beijos a todos, porque eles nao tem cedilha. Sacaram?

Ps: Porque o titulo e "Cedilha, til e acento"? Especulem nos comentarios...