Wednesday, July 06, 2005

A mentira (não) tem olho roxo

Essa eu quero ver. Logo mais, o "top wood´s face" do momento estará com o Jô pedindo, com seu discurso sempre bastante apelativo, que alguém torne roxo seu outro olho. O despeitado deputado R.J. - cabe não citar o nome para não prejudicar sua imaculada reputação - estará mais uma vez dizendo ao mundo, e a Petrópolis, cabe lembrar, que não foge à luta, tendo coragem de enfrentar até a prateleira em que gurda com carinho a música de Lupcínio Rodrigues. Estarão em pauta assuntos inéditos como mensalão, CPI dos Correios e, crise do PT, tópicos que resgatam, com merecida saudade, os tempos "colloridos", os crimes pseudo-passionais e lembrança dos sortudos que sempre ganham na loteria. Ele, advogado criminalista, profundo conhecedor do crime(suas origens, circunstâncias e práticas) acredita que se tornará o maior mártir da política brasileira, enquanto a política brasileira acha que, não satisfeito em ser ladrão, o judas ainda quer anexar ao currículo o título esplêndido de "X9 pela Ordem pública". Seria louvável a dignidade de um homem que, conhecendo o que o povo sofre desde o Pós-ditadura, decide denunciar agora os outros só porque irremediavelmente já seria alvo de punição(ou não, caberia dizer caetanamente)? Moralismos à parte, verdade seja dita(pelo menos aqui): os brasileiros não estão mais preocupados em descobrir a verdade. O quanto antes, interessa encontrar o que é mais convincente para se acreditar. A estratégia de segmentação de "Rob Dedo Duro" deixaria Göebbels morrendo de inveja. Romper o paradigma, desvendar o trambique, apontar a delinqüência de luxo e expor as articulações clientelistas(Adoro Heloísa Helena!!!) não interessam, obviamente, ao nosso querido deputado. Posar como o bonzinho que tem vontade de fazer tudo isso já é suficiente para que o admiremos como o Messias, como o político sem precedentes que conquistou a sua vez. Ele é o "Rouba, mas fala", minha gente, uma adaptação demagógica do Maluf, mas sem ter construído túneis em Petrópolis. A verdade não é uma só nem nos livros de filosofia, quanto mais na boca dos congressistas ou nos dentes cerrados de raiva da cúpula governista do PT. Murilo Benício, em participação histórica no Programa do Faustão(quando foi mesmo?), proferiu uma frase que, na companhia em que estava, foi exaustivamente repetida como a pólvora do século XXI até que o público recebesse o sinal para aplaudir: "Eu estou acreditando em quem está mentindo." Caro Murilo, não admiro seu trabalho, tampouco seu potencial para aforista, mas sua colocação só não é mais pertinente do que reduntante em relação ao cenário nacional. Afinal, se não acreditarmos em quem está mentindo, só nos restaria acreditar em quem não está dizendo a verdade. Ou seja, o caminho é um só: Fausto é um bom apresentador, Murilo é esplêndido ator e a política é um poço de verdades. Não é, Jô?

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