Entre paredes um coração
Ele parou, olhou para o teto e temeu o pior. Afastou o olhar como criança, mas já adulto sabia o que devia encarar.O mundo era bastante para todos, menos para a sua inquietude. Os que temiam eram fracos e temiam mais do que soma de todos os seus medos. Não, não era fraco. Sabia disso, por mais que temesse o teto. Tentou as paredes. Fechadas, elas o aprisionavam ainda mais em seus medos, em suas doenças implacáveis. "Por que, teto e paredes, devo temer a verdade? Desabem se eu merecer, mas deixem me o gosto do real, o sabor do íntegro e o triunfo do saber. Ao menos vocês não neguem a dádiva do conhecer puro. Confio sim. A placidez com que me encaram é contundente." Convicto, já acreditava que o recinto em que diluía suas angústias era mais confiável que seu próprio coração: O maldito órgão que não enxerga o que a razão entre quatro paredes e um teto elucida. Sua reflexão era externa ao seu próprio desejo, porque seu pensamento pensava, mas não entendia o que o corpo queria fazer. A verdade, então, era uma faceta de uma mentira sinceramente inventada, de um "sim" que insistia em negar com furor de cientista, mas sem o sentimento de poeta. Como pensar de maneira tão pragmática o que estava sentindo ? Como pensar o que estava sentindo ? Como sentir o que estava sentindo ? O caminho sem volta não é para os tolos, mas para os apaixonados. Paredes e tetos testemunham.

2 Comments:
Eu testemunho. Porque estou apaixonada. E... o resto as paredes e tetos e todos testemunham;)Te amo!
Nós, sobretudo, testemunhamos!
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